POR FAVOR!

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus”(Romanos 12:1,2).

Porque o apóstolo Paulo estaria pedindo um favor? Ele disse: parakalw! Traduzido como “rogo-vos”. Parakalô! Significa: por favor! Apreendi em grego moderno que até hoje na Grécia se fala parakalô quando se quer pedir alguma coisa, ou quando gentilmente se cede passo para outrem. Então, Paulo demonstra anseio por algo...algo que a igreja deveria buscar com todo o elã, desejo, vontade. Daí ele disse o que ganhara em sua concepção status de indispensável. Pelo menos quatro coisas vão estar enfeixadas nessa preocupação paulina, quais sejam: A primeira é a apresentação. E, a segunda é a não conformação e a terceira é a transformação e a última é a experimentação. Vamos então pensar sobre tudo isso!

  1. - A APRESENTAÇÃO

 

Está aí uma coisa que nos últimos dias tem sido raro, ou seja, a apresentação. É estranho, mas parece que apesar de mundo estar mais acessível, estamos dissipados, ou líquidos, ou evaporados. Quase todo mundo nos enxerga, sem nos ver. Pense comigo, vemos as fotos, mas não vemos as pessoas, daí temos a sensação que estamos perto, porém, acaba levando um tempo para percebermos que não estivemos juntos, pensamos que estivemos de modo interfacial, mas a verdade é que eu vi a sua foto em algum lugar na rede social e você viu a minha. A rede é algo que reúne, mas que também prende. As pessoas ficam enredadas. Talvez a melhor forma de conviver com essa rede é entrando nela sabendo sair sem ficar preso, todavia, para que isso ocorra, você não pode ser apenas um peixinho, há de ser um tubarão, forte, ágil, e com a dentição bem afiada para romper a rede. Nesse passo, fico pensando se os bons tubarões querem perder tempo com redes, eu acho que eles estão preocupados mesmo é com o oceano, querem mesmo é desbravar os mares. E a rede? É algo que jogam no mar e com o tempo desaparece, se não formos pegos.

I.1- O QUE ATRAPALHA A APRESENTAÇÃO

 

A rede é uma espécie de fotomania misturada com fotofobia. Pois quem quero ver, fico vendo toda hora, assemelhado a um investigador, porém quem não quero ver mais dou um jeito de deletar. Mundo estranho em que estamos ínsitos! Quer se esconder não responde o zap!

 

Quer se esconder?! Não coloque foto nova na semana. Se é querido alguém envia um áudio perguntando: cadê você?! E essa coisa de copiar e colar a opinião dos outros, não está nos deixando inermes de saber? Parece que o que Paulo verteu nas linhas expostas acima é uma verdade que atravessas os tempos. Estamos deixando de nos apresentar, e isso é ruim, aliás, é péssimo. Tínhamos todos o nosso point, a igreja, onde podíamos colar os nossos rostos, e, nos abraçar, mas alguns preferem virtualizar tudo, perde-se o tato quando isso acontece, não tem mais, o olho no olho, nos tornamos artificiais. Como alguém disse a vida se torna de plástico.

A apresentação é atrapalhada pela artificialização das nossas relações. E, a vida fica sem corpo, e sem corpo também fica sem sentidos...ou sem sentido enquanto pessoas biopsicoespirituais e, como não tem corpo, sem sacrifício vivo em prol da santidade, e agradabilidade. De modo que, a “coinonia” (comunhão) exige o pacto da entrega do corpo, por isso, alguém tem que se apresentar! E outro tem que receber! Apresentação-recepção. Uma igreja que não está pronta para receber, é porque ainda não entendeu o valor da apresentação (entrega). Se tem algo lindo no mundo é o andar de quem se entrega. Pense no andar da noiva indo para o altar, é de fato lindo! Bom, como pastor há quase um quarto de século, eu vi três lindos andares, o primeiro é o da criança que começa a querer andar (agradar), o segundo é do crente que começa a querer andar (agradar), e o terceiro é o da noiva que começar a querer andar (agradar). Do outro lado, o pai recepciona a criança que quer surpreender. O pastor recepciona o crente que quer surpreender e, o noivo, recepciona a noiva que quer surpreender.

  1. – A NÃO CONFORMIDADE

 

Outra coisa importante que é exarada no texto, passo a perseguir. O tema da não conformação. Parece que em alguns momentos de nossas vidas nos conformamos com as absurdidades que vemos na televisão, que lemos nos jornais, nas redes sociais. Conformar é ganhar a forma, é se enquadrar no padrão estabelecido no mundo. Me recordo dos encontros na praia quando eu era criança em que as meninas com as forminhas davam ou impunham à areia o formato da peça. A forma definia o padrão. Então dependendo da forma que vivo eu defino o padrão. A proposta Paulina é a de que a igreja fuja desse padrão. A grosso modo, ele não propõe uma revolta contra as instituições, mas uma inadequação, na mente paulina a igreja não se encaixa no padrão do mundo. A guisa de exemplo, beber e depois brigar e, por conta disso matar a esposa ou o filho, não se encaixa. Outro exemplo, combater o tráfico de drogas, mas por outro lado fazer marcha em defesa da maconha, não nos serve de padrão. Outra coisa, combater a pedofilia e fomentar a propaganda sexual para o mundo não dá para se encaixar, etc. Por isso, não nos conformaremos com esse padrão. Nós temos uma outra forma de viver.

 

Amamos a família. O fato é que muitas palavrinhas bonitinhas vão surgindo como engodo, todavia, a igreja está fincada na Palavra de Deus.

  1. – A TRANSFORMAÇÃO

 

Escrevi  um  livro  que  nasce  da  exegese  do  verbo  “metamorfousthe”  (Gr.

metamorfousqe) que deu origem a palavra metamorfose. Não precisamos ir muito longe para entender que, há aqui uma “morfia”, ou seja, uma forma de viver a ser superada, e isso na linguagem paulina. A metamorfose é “a meta” da forma, é o ir além da forma, ou romper com o padrão que é imposto. A metamorfose significa não aceitar o padrão imposto pela natureza, pois, o estado de lagarta é corredor de passagem para a transformação. Na verdade, não é apenar uma mudança de invólucro, ou seja, tinha um corpo de lagarta e agora tenho um corpo de borboleta. Nessa toada, o que está apontado aqui é, uma “trans-existencialidade”. Estive pensando que, as coisas podem mudar. Em minhas reflexões, já cheguei a conclusão que não existe uma predestinação lombrosiana, do tipo, você nasceu criminoso e vai morrer criminoso. Se fosse assim, seria melhor fechar as igrejas. O que sempre acreditamos é que o homem pode ser trans-existencializado. Pois, no que tange a sua essência ele é homem. Mas, no que tange a sua existência ele pode definir que tipo de pessoa ele quer apresentar ao mundo. Nesse ponto

o desejo da apresentação é que pode mudar a história da pessoa. Assim, aqui não se pensa sobre

o ser do ente, mas o ente do ser. Enquanto ser que ente vou apresentar?

 

Em consenso, devo dizer que, para nada adiantaria uma borboleta manter-se com a mentalidade de lagarta. Por isso, há um efeito da “nous transformada”. A “nous” (mente) quando é transformada produz efeitos nas atitudes e nas ações. A minha mente quando é reelaborada para uma adequação na realidade, pois, um corpo diferente no mesmo espaço, mas espaço redimensionado por minha nova realidade, exige mudança de comportamento. Explico. O que vê a lagarta senão o chão? Também sem asas, o que poderia fazer? Mas, o que vê a borboleta, senão o chão quando nasce? Mas, quando percebe as asas, passa a batê-las, não sei se automaticamente ou por provocação, então, percebe que sai do chão, daí repete os movimentos, percebe que saiu do chão de novo, então repete os movimento com mais vigor, percebe que foi mais alto que antes, daí começa a ousar, empinando o seu corpo vai para mais alto, e inclinando vai mais rápido, daí se empina e se inclina muitas vezes, e percebe que pode voar. E quando voa quer avançar! A metamorfose é avanço. Jesus curou o paralítico, e disse para ele, carregue a cama que te carregava. Penso que nesse mundo a gente escolhe entre ser carregado e carregar. Deitado fico no mesmo lugar, mas andando ultrapasso obstáculos.

 

  1. – A EXPERIMENTAÇÃO

 

Não subiste a experimentação se não houver o experimentante e o experimentado. Precisamos experimentar viver essa vida de transformação, pois encarando a vida a gente percebe que ela nos exige disposição. O que nos aproxima da experimentação é a arte e, Aristóteles disse que existem dois tipos de arte, a mimética (a que imita a vida: exemplos: pintura, escultura) e, a rítmica (que imita o viver, exemplos: a música, a poesia, etc). Eu penso que o inverno de Vivalti nos ajuda a alterar o ritmo do nosso inverno. Experimente! Experimente a ter mais ritmo com Deus! A ter mais mímica com Cristo e mais química com teus irmãos!

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