Do Bp. Dr. Alexandre Rodrigues Metello

BIBLIOLOGIA – PARTE 2

A BÍBLIA

Em primeiro passo, é digno de nota que alguns conceitos sobre a Bíblia precisam estar bem firmes em nossa mente. Então, vejamos, a Bíblia foi escrita por pelo menos quarenta autores, num espaço de tempo de mais ou menos 1.500 anos, em três Continentes distintos, quais sejam: Ásia, Europa e África. A Bíblia foi escrita, lavrada com a instrumentalização de três línguas distintas, Hebraico, Aramaico e Grego. É um livro Divino-humano, haja vista que é possível identificar seus escritores revelados e inspirados por Deus. Ela é chamada de Hierai Biloi, ou seja, livros sagrados, ou melhor ainda, Sagradas Escrituras.

Uma questão interessante é pensar, se ela é ou não a inerrante Palavra de Deus. Quanto a isso, não temos dúvida de que ela é a inerrante Palavra de Deus, pois que o Antigo Testamento contém profecias que se confirmaram no plano histórico, sem deixar uma sombra de dúvida de que Deus foi quem revelou o futuro das nações e dos povos do passado. Um bom exemplo disso, é a revelação do Livro do Profeta Daniel que expõe com exatidão as sucessões dos impérios que já existiram, tais como, Babilônia, Média, Pérsia, Grécia e Roma. Ponha-se os olhos sobre o que escreveu o apóstolo Pedro, verbis:

“E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que ilumina em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: Que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. (II Pedro 1:19-21).

Ao lado do texto acima, deve se ter o que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, leia-se:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça. Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. (2 Timóteo 3:16,17).

Agora bem, o Antigo Testamento, é chamado de Primeira Aliança e o Novo Testamento é chamado de 2ª Aliança, porém, já vimos em outra aula que, não podemos cair no erro de achar que as alianças se substituem, mas devemos entender que elas se complementam.

O Novo Testamento é o livro mais bem conservado da história, ele possui mais de 25.000 manuscritos preservados. Importa salientar que Platão possui apenas 7 manuscritos antigos preservados, a Ilíada de Homero também possui apenas 640 cópias, já as variantes textuais do Novo Testamento não são capazes de alterar o sentido. As milhares de cópias foram comparadas e pouquíssima diferença entre os relatos.

O cânon bíblico se perfez para a igreja católica no ano de 1546 no Concílio de Trento, incluindo o Antigo e o Novo Testamentos, todavia, vale ressaltar que em Hipona no ano de 393 e em Cartago em 397 o Novo Testamento já estava todo composto. Não obstante, reitera-se que a igreja católica romana incluiu livros que não fazem parte da Tanakh, ou seja, do Antigo Testamento (Torah, Naviim, Ketuvim) e que surgiram no período inter bíblico ou intertestamentário, chamado de 400 anos do silêncio de Deus, por isso, foram chamados de apócrifos e deuterocanônicos. É forçoso lembrar que o Cânon Protestante se consolidou com a confissão de fé de Westminster (1647), para muitos historiadores esse foi o momento de oficialização final do cânone protestante, in casu, excluiu-se formalmente os livros apócrifos e deuterocanônicos, contudo, as Bíblias de Martinho Lutero e de outros Reformadores em 1534 já questionavam a inclusão dos livros deuterocanônicos (apócrifos), ao passo que punham esses livros em sessão separada. Gize-se que, há que se ter cuidado com a dicção “Bíblias”, posto que, a Bíblia é uma só, em nosso sentir, posto que a única que obedece a realidade fática da revelação é a que não inclui em sua coleção o que sempre foi entendido como duvidoso.

Dito isso, vejamos como se compunha o Antigo Testamento para os judeus, a saber:

I – A BÍBLIA JUDAICA

Noutra quadra de ideias, cumpre observar que a Bíblia Judaica é chamada de Tanakh (Torah: Lei, Naviim: profetas e Ketuvim: escritos) e existem muitas referências no Novo Testamento sobre ela. Sublinha-se que os judeus não aceitam o Novo Testamento, mas os cristãos entendem o Antigo Testamento como a base legal, moral e ética da fé cristã.

A guisa de exemplo, Jesus Cristo disse em um dos seus discursos teológicos, verbi gratia:

“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas”. (Mateus 7:12). Face ao exposto se pode deduzir que já naquela época os textos da Lei e dos profetas eram entendidos como Palavra de Deus.

Antes até mesmo desse texto, o evangelista Mateus traz à colação a seguinte “logia”  (discurso) do Senhor Jesus Cristo

         

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