TEMA: O QUE PODEMOS APRENDER COM DANIEL?

Introdução:

Inicialmente, é de bom alvitre considerar que Daniel nasceu no ano 620 a.C. e foi levado com 15 anos de idade para a Babilônia, por Nebuzaradã, chefe do Exército de Nabucodonozor. Daniel foi considerado um dos maiores profetas da história da humanidade, ao menos teria sido o maior profeta da corte, posto que não houve outro que influenciasse tanto os impérios que existiram, ao passo que historicamente ele influenciou o império babilônico (Nabucodonozor e Belsazar), e o império medo-persa, sendo Dario representante da Média, e Ciro, o grande nome da Pérsia. O profeta Daniel morreu após o ano 530 a.C. O texto bíblico aponta que Daniel se tornou o 3º nome de todo o Império babilônico (Daniel 5:29), no período do imperador Belsazar. Agora, como Daniel se tornou esse homem tão próspero?

I – O propósito de não se contaminar com as mazelas do império babilônico e o seu desejo de agradar a Deus

O verso 8º do capítulo 1º do livro de Daniel diz o seguinte: “Resolveu Daniel, firmemente, não se contaminar com as finas iguarias do rei...”. Veja, a decisão que ele tomou foi uma decisão firme. Reitero, “resolveu Daniel firmemente”. Ele, apesar de tenra idade, ou seja, com 15 anos de idade tomou uma decisão que ressoou em toda a sua história, ou seja, tornou-se um vitorioso, por sua absoluta fidelidade a Deus, chegando ao posto de 3º homem do maior império da História humana. A História de Daniel, penso, que muito provavelmente influenciou o apóstolo Paulo, foi de fato fascinante, confira o que escreveu o apóstolo Paulo, e veja como tem tudo a ver com a vida de Daniel, verbis:

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).  

O grande diferencial na vida de Daniel é de que ele estava numa terra como a atual Dubai, comparação feita pelo autor do livro “o homem mais rico da Babilônia”, George Clason, e não se contaminou. Ele diz que qualquer pessoa se impressionava com a Babilônia pois ela estava no meio do deserto, às margens do Eufrates, situada num vale árido, seco, sem possibilidade de crescimento e prosperidade, mas mesmo assim se tornou o maior império da história, sendo desenhado no livro do apocalipse como uma metáfora do último governo opositor ao cristianismo e judaísmo, o qual será presidido pelo anticristo. A Babilônia tinha astrônomos, matemáticos, financistas, engenheiros, tinha uma imensa biblioteca, que fora encontrada pelos arqueólogos, o muro que a cercava tinha cinquenta metros de altura (prédio de quinze andares), e dezoito quilômetros de comprimento, com uma largura para uma carruagem de seis cavalos, lembrou George S. Clason.  

Todavia, a forte vontade interior de Daniel de não se contaminar com as coisas do Império Babilônico, fez com que ele prosperasse pelas mãos de Deus. O texto paulino casa com o texto de Daniel a medida que lemos que precisamos não nos conformar com este século, uma vez que aduz a ideia de não nos contaminarmos nessa geração.

Tenho por certo que se aplica em nossa reflexão o que tenho revisto em minhas releituras de Michel Foucault, autor que visitei na minha graduação em Filosofia e que agora revisito em meus prazerosos estudos e pesquisas pessoais. O nobre autor escreve sobre a “gnôthi seautón” (conhece-te a ti mesmo) e “epimeléia heautou” (cuidado de si mesmo). Sabe-se que a “gnôthi seautón” exibe o pensamento grego ateniense presente no templo Délfico, o qual tratava de duas verdades, quais sejam, “conhece-te a ti mesmo” e “nada de excesso”. Ao lado dessas verdades, eclodiu na cabeça de Foucault, creio com base no texto paulino, “o cuidado de si”. Leia-se o que o apóstolo Paulo escreveu para Timóteo, a saber:

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (I Timóteo 4:16). Assim sendo, devemos pensar em como se refletia o cuidado de Daniel e o cuidado que teve Paulo com Timóteo.

I.1 – A Dietética

Acabo de perceber no texto de Daniel uma coisa, a vida espiritual está ligada a vida biológica, na verdade a physis está ligada a metaphysis, em palavras outras, o mundo físico está ligado ao metafísico. Aqui encontramos o ponto de inflexão, poderia Daniel segui o curso normal da cultura babilônica, mas, teve a dietética, isto é, o cuidado de si, cuidou de sua vida espiritual e se desviou-se do pecado. O cuidado de si, consiste em cuidar de sua vida espiritual, emocional, social e fisiológica. Entenda uma coisa, a dietética de Daniel estava ligada à sua espiritualidade, ele entendeu que comer das iguarias da Babilônia que eram consagradas aos demônios traria transtornos para a sua vida espiritual. Então, há uma inseparabilidade entre o que ingerimos com a boca, com os ouvidos, com os olhos e quem nos tornamos (devir: vir-a-ser). Isso é tão forte que podemos notar que os impérios (Babilônico, Medo-Persa) passaram, mas Daniel permaneceu de pé! Como escreveu o apóstolo João, em sua primeira epístola, verbis:

“O mundo passa e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (I Jo2:17).

Gize-se que quem faz a vontade de Deus não vive de acordo com os gostos desse mundo, com a cultura desse mundo. Tendo em vista que, a palavra cultura veio de cultivo, precisamos não só pensar no cuidado de si, mas também na cultura de si mesmo. Devo pensar, o que estou semeando em meu coração e em minha mente. Na parábola do semeador constatamos o que estou dizendo, pois, a semente só brotou em terra preparada.

Me parece claro, e de clareza solar, que Daniel procurou se preservar da idolatria e feitiçaria da Babilônia mesmo estando entre os feiticeiros, astrólogos, encantadores da Babilônia (Daniel 1:20). A dietética deve ser entendida com algo mais amplo, além de alimentos materiais.

II. O grande diferencial na vida de Daniel

Nota-se, o texto bíblico apresenta que Daniel além de ter conhecimento e a inteligência em toda a cultura e sabedoria, possuía também inteligência em visões e sonhos (Daniel 1:17).

Perceba uma coisa, quem lê a fascinante história de Daniel percebe que o grande diferencial de Daniel não era o conhecimento que possuía, mas a intimidade que tinha com Deus, pois foi o Senhor quem revelou para Daniel o sonho que Nabucodonozor teve, bem como a sua interpretação, leia-se:

“Respondeu o rei a Daniel, e disse: Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses, e o Senhor dos reis e revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério”. (Daniel 2:47).

Sabe-se que Daniel só teve essa experiência de revelação do sonho e interpretação que o fez ascender à posição de ministro, porque tinha o Espírito Santo, como foi constatado por aqueles que conviveram com ele e conheceram-no, considere:

 “Mas por fim entrou na minha presença Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos; e eu lhe contei o sonho, dizendo:

“Beltessazar, mestre dos magos, pois eu sei que há em ti o espírito dos deuses santos, e nenhum mistério te é difícil, dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação”. (Daniel 4:8,9). Apesar da dicção politeísta, depreende-se do texto em que narra o que visualizou Nabucodonozor, que ele constatou a presença do Espírito Santo na vida de Daniel.

Não obstante, depois, a rainha-mãe, viúva de Nabucodonozor, lembrou a Belsazar, seu filho e sucessor do trono, que o Espírito de Cristo ou Espírito Santo estava com Daniel, e assim como, houvera revelado a Daniel no tempo de seu pai o que aconteceria, iria revelar também para ele o que foi escrito na parede, e qual seria a interpretação, leia-se:

“Há no teu reino um homem, no qual há o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, o rei, o constituiu mestre dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores. Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e conhecimento, e entendimento, interpretando sonhos e explicando enigmas, e resolvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar. Chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará a interpretação”. (Daniel 5:11,12).

Conclusão:

Conclui-se de todo o exposto que Daniel se revoltou contra o mundo, e não contra Deus, e o Senhor Jesus Cristo lhe concedeu a vitória sobre a Babilônia; que a nossa geração faça o mesmo, se revolte contra o mundo, e contra as artimanhas de satanás!

 

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