Do Bispo e Dr. Alexandre Rodrigues Metello

Tema: O que é ser um líder à luz da Bíblia?

Introdução:

A liderança surge de alguém que soube ser liderado. A teoria do espelhamento. A verdade é que sempre teremos alguém em quem nos espelhar. Josué se espelhou em Moisés, Eliseu se espelhou em Elias, os apóstolos se espelharam em Jesus Cristo. A grosso modo, nesta lição iremos pensar sobre as características de um grande líder segundo as verdades coligidas no texto do livro de Josué.

É bom de ver que aquilo que sempre chamamos de liderança, modernamente está sendo chamado de gestão de pessoas. O bom líder é aquele que identifica pessoas e talentos e faz a gestão de pessoas e de talentos. O líder deve apresentar:

1. Disposição:

Há que se ter em escopo a diferença entre disposição e propensão. DEUS disse a Josué, “dispõe-te, agora” (Josué 1:2). Duas verdades estão plasmadas aqui, a verdade da disposição e a verdade da não procrastinação. Lembreime daquele texto em que o Senhor Jesus Cristo apresenta o convite para um jovem, e ele disse: “deixa-me, primeiro, me despedir de meus pais”. Nota-se, que o Senhor Jesus Cristo não aceitou a procrastinação daquele jovem.

A disposição diferentemente da propensão é o atendimento ao chamado. A propensão é apenas um desejo passageiro. A disposição envolve:

1.1 – Objetivos, metas, diretrizes, alvos e aproveitamento do capital histórico-humano:

O líder deve ter objetivos bem delineados, no caso de Josué era a conquista da terra de Canaã. Não obstante, Josué apontava diretrizes, ou seja, organizava as tribos para cada batalha, organizava os clãs, tribos e famílias. Planejava cada ação. Apresentava para os seus liderados os alvos a serem alcançados, quer dizer, apontava quais terras iriam tomar, quais cidades seriam possuídas, por exemplo, Jericó foi um dos primeiros alvos. Apura-se de todo o exposto que Josué também aproveitava o capital-humano-histórico, isto é, assim como Deus foi com Moisés será comigo. Há quem dispense a história de um conquistador, despreza-a, para mostrar-se como absoluto, isso é um erro crasso de orgulho e vaidade. Põe-se às claras que Raabe, a prostituta, lembrou-se da história de Moisés, isso, indubitavelmente, é o capital histórico de um povo. Por exemplo, a nossa igreja possui uma história de milagres e conquistas, mas, se surgisse, um outro líder, com o fito de desmontar nossas experiências, obviamente, que muito de nossa força seria perdida (Josué 2:10).

1.2 – O essencial é que o líder medite na Palavra de Deus

Considere que o líder Josué recebeu a seguinte ordem de Deus para que ele prosperasse, ou seja, Deus como o maior de todos os líderes aplicou a regra de gestão de desempenho, ou seja, a obediência traz a reboque resultados, então, se ele obedecesse a Palavra de Deus, obteria resultados (Josué 1:8-10). Deus recompensa aqueles que lhe obedecem!

2. As características de um grande líder

Viceja dizer que um líder, precisa apresentar algumas distinções de outras pessoas. Precisa entender a matemática do Reino que envolve soma, multiplicação e compartilhamento. Basta olharmos para o exemplo do Senhor Jesus Cristo, que na multiplicação dos pães e peixes pediu que ajuntassem a quantidade de pães e peixes amealhados da multidão. Somaram cinco pães e dois peixes (João 6:1-15). Depois, o Senhor Jesus Cristo multiplicou, e simultaneamente compartilhou. Então, o líder não pode ser egoísta. Também não pode ser fechado num grupo. Supunha-se que se Jesus Cristo cuidasse só dos discípulos, toda aquela multidão se perderia.

Atrelado a isso, o líder precisa ser visionário (Jesus olhou para a multidão), comunicador, portador de inteligência emocional, exemplo, capaz de decidir, bem como, hábil para delegar poder e saber inovar (mudar de estratégias).

2.1 – A técnica de onboarding

Atualmente, quando se fala de gestão de pessoas ou liderança, logo vem a mente a técnica de onboarding, que é um processo de acolhimento das novas pessoas. Assim, é bom de ver que, alguns líderes são seletivos excludentes, e outros são seletivos includentes. O bom líder é aquele que ao ver uma nova pessoa, identifica o seu talento, e o inclui naquela atividade compatível com o talento daquela nova pessoa. O seletivo excludente sempre enxerga o outro como desencaixado. O onboarding “é um processo de integração para acolher e adaptar novos colaboradores, ajudando-os a entender a cultura, os processos e as responsabilidades da empresa, e promovendo seu engajamento e permanência no longo prazo.

” Recordo-me que o Doutor Paul Pierson nos ensinou que existe no seio da igreja cristã o choque entre a antiguidade e a recenticidade. Nem sempre o cristão antigo está disposto a receber com amor o cristão novo. Obviamente, muitas vezes esse acontece por causa das obras da carne (Gálatas 5). Não obstante, tenho dito sempre que o fruto do Espírito Santo é a obra de Deus em nós, enquanto que, os dons do Espírito Santo é a obra de Deus através de nós.

2.1.1 – onboarding: Envolve orientação, treinamento e acompanhamento

Como dissemos, inicialmente, todo grande líder já foi liderado, por quê? Porque passou por orientação, treinamento e acompanhamento. Nessa quadra de ideias, o bom liderado é aquele que apresenta resultados.

2.1.2 – Onboarding: Envolve motivação.

Nenhum liderado entra no processo de desenvolvimento, se não for motivado. Vale dizer, motivação, significa “uma ação baseada em um motivo”. É sempre bom diferir estímulo de motivação. Tais definições são matéria afetas à Psicanálise, de tal sorte que, a primeira, ou seja, o estímulo significa uma alteração de movimento exógena, externa, enquanto que a motivação é uma alteração de movimento endógena. Assim, o móbil da ação de um liderado sempre deve ser um motivo. Anota-se, na história do Cristianismo o que movia os discípulos do Senhor Jesus Cristo era cumprir o “ide”. Existe um ciclo de desenvolvimento cristão que precisamos considerar: No primeiro momento o cristão é evangelizado, no segundo momento ele é discipulado, no terceiro momento ele é vocacionado e no quarto momento ele é preparado e por fim ele é comissionado.

2.2 – A técnica da seleção de pessoas

Vê-se no texto bíblico, em Mateus 10, que o Senhor Jesus Cristo recrutou e selecionou os seus colaboradores dentre os seus discípulos, em palavras outras, aqueles que estavam perto, foram escolhidos para serem apóstolos. Como tenho dito, o discípulo é o que vem, o apóstolo é o que vai.

3. - O Treinamento dos discípulos

É de sabença de todos que o Senhor Jesus Cristo passou três anos e meio treinando os seus discípulos para a grande missão. Mas o treinamento depende muito do tipo de liderança que o líder abraça, pois segundo, Daniel Goleman, um líder pode ser autocrático (centralizador), participativo, laissezfaire (relaxado), transformacional, transacional, servidora ou situacional (adapta a sua liderança de acordo com a maturidade da equipe). Resta bem claro que a liderança do Senhor Jesus Cristo era participativa, transformacional e servidora. Sempre é oportuno lembrar que o grande desafio está em socializar o novo discípulo, pois este precisa ser ensinado sobre a cultura organizacional da igreja, a Psicanálise chama isso de Psicogênese, ou seja, a criação de uma nova mentalidade, associado a organogênese, ou seja, uma nova mentalidade de grupo. Essa tarefa não é fácil, posto que, cada pessoa vem trazendo a sua bagagem, suas vivências, seus hábitos. Assim, precisa muitas vezes desaprender o errado para aprender o certo. Sempre gosto de promover a dança dos saberes, e aqui, neste ponto, cabe também considerar que toda e qualquer pessoa é um ser biopsicoespiritual e social. Então, a pessoa vem com uma carga física, psicológica, espiritual e social. É interessante salientar que enquanto a psicanálise se preocupa com o inconsciente individual (vivências pessoais), a Sociologia pensa no inconsciente coletivo (vivências de grupo). Tanto é assim que o objeto de estudo da Sociologia é a análise de uma parcela da sociedade. Recordo-me que para eu me formar em Sociologia tive que analisar aspectos quantitativos e qualitativos da igreja na Pandemia. Como mudou a feição da igreja cristã é impressionante. Entretanto, o que quero aqui passar é que querendo ou não uma pessoa é fruto do meio em que está inserido.

Conclusão:

O grande desafio de um líder é o de construir a identidade do grupo. Vale dizer, a identidade de um grupo não tem nada a ver com a identidade de uma pessoa, são coisas distintas, e uma coisa não exclui a outra, mas uma complementa a outra. Pense comigo, Jesus queria que os seus discípulos fossem confundidos com os fariseus, saduceus, herodianos, escribas, ou até mesmo com os essênios? Não. A identidade era outra. Por outro lado, ele queria que os seus discípulos fossem confundidos com os discípulos de João Batista, ou com os pecadores, ou com os publicanos? Não. Assim sendo, percebe-se que não é difícil enxergar que um grupo possui uma identidade. A igreja Batista Renovada Monte Santo não se confunde com a Batista tradicional nem com a Assembleia de Deus, ou Universal, ou Presbiteriana, etc. Temos a nossa própria identidade. Antes de qualquer coisa somos uma igreja que acredita no desenvolvimento do caráter cristão e na manifestação dos dons e na missão de evangelizar o mundo!

Deseja Fazer parte?

Entre em contato conosco.