Bp. Dr. Alexandre R. Metello
Da I.B. R. Monte Santo
A GUARDA DO DIA DE DEUS
“Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou”. (Êxodo 20:8-11).
Diante do exposto, cabe indagar: Devemos guardar o sábado? Já respondo, sim, guardar o sábado no Domingo. Pois, o que importa é guardar o dia de Deus. Mas, antes de adentrarmos nesse assunto com maior profundidade, preciso considerar que os mandamentos têm uma história.
I – A progressão expositiva dos mandamentos
Com efeito, os dez mandamentos foram reduzidos em dois, os quais chamamos de duólogo (dois mandamentos). Ao lado disso, quero lembrar que numa ordem cronológica, num primeiro momento tivemos o eptálogo (os sete mandamentos de Noé), depois, vieram os dez mandamentos revelados a Moisés, e, depois, o Senhor Jesus Cristo trouxe a releitura dos dez mandamentos, reitera-se reduzindo ou resumindo-os em dois.
II – A verdade sobre o núcleo duro das ordenanças divinas
Como já ministrei em nossos cultos, um dos maiores doutrinadores da Teologia Neotestamentária, foi o apóstolo Paulo, e ele dividiu as leis em três grupos. Transcreva-se:
“E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom”. (Romanos 7:12).
É bom assinalar que o apóstolo Paulo explica que a lei (nómos, Gr.) é santa, e o mandamento (entolé, Gr.) é santo, justo e bom. Assim, o apóstolo Paulo desvela que, a princípio, existem duas classes importantes de regramentos, mas, doutrinadores de escol, apresentam mais uma, qual seja, a pséfisma (regras costumeiras, consuetudinárias). Vamos organizar o nosso raciocínio sobre todo o exposto. Entenda! Os mandamentos (entolé) compõem o núcleo duro, é o que na Constituição Federal chamamos de cláusulas pétreas. O núcleo duro guarda imexibilidade, inalterabilidade, intocabilidade. Esse entendimento é valioso para que compreendamos onde está a possibilidade de alteração das normas que Deus entregou no passado. À guisa de exemplo, no passado a condenação, ou melhor, “a pena”, ou a “punição” para uma mulher flagrada em ato adulterino era a morte por apedrejamento. Que coisa! Que hediondez! Não! Todavia, importa salientar que naquela época foi necessário para que a sociedade compreendesse a sacralidade, intocabilidade do casamento. Nessa época Deus foi pedagógico. Todavia, sublinha-se, uma Pedagogia, quiçá, hoje considerada bem radical, excêntrica.
Lado outro, tenho mais um exemplo: Muito se critica a ordem que Deus deu a Israel para matar os amalequitas sem preservar mulheres e crianças, em palavras outras, atualmente, chama-se isso de genocídio. Mas, vamos ponderar, o povo amalequita queria a destruição total de Israel, assim, Deus queria preservar o povo que queria servi-lo de coração, e no que tange, o entendimento jurídico sobre o Direito do amigo e o Direito do inimigo é muito interessante, pois, até mesmo hoje, a regra com relação aos terroristas é a aplicação do Direito do inimigo, e esses não podem gozar dos mesmos direitos e privilégios de pessoas pacíficas que querem a paz social. Acresce a isso, um é o regramento que será aplicado no estado de guerra, de sítio, de defesa, e outro é o regramento que será aplicado em estado de paz. Registra-se, no campo da “nomos” as leis podem mudar.
II.1 – A nomodinâmica
A nomodinâmica é essa possibilidade de alteração ou evolução ou releitura das leis. Põe-se às claras, o que o Senhor Jesus Cristo mais fez, durante a sua vida, foi propor uma releitura e reinterpretação das leis.
II.2 – A nomoestática
A fim de compreendermos melhor esse tema, a nomoestática significa que determinadas leis são inalteráveis, tais como, o conjunto dos dez mandamentos, ou seja, o núcleo duro, as cláusulas pétreas de Deus.
III. Os dez mandamentos
Para quem não sabe, os dez mandamentos se dividem em mandamentos verticais e horizontais, clareia-se, eles foram resumidos em dois. Os mandamentos verticais são aqueles que guardam a transcendência vertical assimétrica, um dos dois mandamentos, o mandamento vertical, que aponta para Deus. Aquela precisa lição na qual Jesus Cristo disse: “Amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas”, ou amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento” (Lucas 10:27). Perceba que a ideia do todo permeia o versiculado ou versado, e significa dizer que por mais que queiramos amar a Deus, ainda que integral, com a nossa totalidade, “todificando”(tornando-o total, o nosso amor total) como Ele nos ama, é impossível, por isso, é um amor assimétrico, inigualável. A ideia de adorar a Deus sobre todas as coisas, trata de transcendência vertical. Deus está acima de tudo e todos. Agora bem, a dicção: “amarás o Senhor teu Deus sobre todas as coisas” abarca os quatro primeiros mandamentos do decálogo. Os outros seis mandamentos que vêm depois, dizem respeito ao mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. É o outro dos dois, essa dicção resume e abarca os seis mandamentos da transcendência horizontal simétrica, explica-se: O fato é que eu amo o próximo como a mim mesmo e isso é simetria. É a transcendência horizontal simétrica, ou seja, eu devo romper com o meu “eu”, sair de mim em direção ao outro, isso é horizontalização; acresce a isso, o outro é alcançável por simetria, pois o outro é um igual ao eu. Esses são os dois mandamentos! Os mandamentos são apodíticos, ou seja, não nos oferece margem de escolha como o faz a casuística. A apodítica determina o que deve ser cumprido sem escolha. Os dez mandamentos são regras que quando não cumpridas levam à morte.
Antes de considerarmos o poderoso mandamento de Deus, da guarda do dia de Deus, pense comigo, os quatro primeiros mandamentos são transcendentes verticais assimétricos, inscreva-se, visam: o 1º visa proteger a Unicidade de Deus (não terás outros deuses diante de mim); o 2º busca proteger a natureza de Deus (não farás para ti imagem de escultura...) e proteger o relacionamento com Deus (não te encurvarás a elas nem as servirás...); o 3º intenta proteger a Personalidade e Santidade de Deus (não tomará o nome do Senhor teu Deus em vão); o 4º aspira proteger o culto a Deus (guarda o dia do sábado para o santificar...), é sobre esse que poremos o foco.
O segundo grupo de mandamentos é o que compõem os horizontais, ou seja, de transcendência horizontal simétrica. São eles: 5º Esmera-se em proteger a família (Honra o teu pai e a tua mãe, o primeiro mandamento com promessa); o 6º dedica-se a proteger a vida (não matarás); o 7º, volta-se a proteger o matrimônio (Não adulterarás); o 8º pretende proteger o patrimônio (não furtarás); o 9º objetiva proteger a dignidade da justiça (Não dirás falso testemunho contra o teu próximo) o 10º lança-se a proteger a sociedade, ou as relações sociais ou paz social (não cobiçarás nada do próximo...). Nessa lição, vamos considerar a guarda do dia de Deus, ou seja, o 4º do conjunto dos mandamentos.
IV – A guarda do dia de Deus
Nessa lição, compreenderemos, portanto, a guarda do Domingo. Por força do que está determinado por Deus, no Decálogo, no capítulo 20, do livro de Êxodo, na primeira parte dos mandamentos de Deus, um dia seria reservado para Deus, e esse dia é o sábado. Indaga-se, se Deus determinou um dia para o culto e este dia é o sábado, o que fazer?
Assim, elementarmente, em nenhum texto do Novo Testamento Jesus Cristo ou quaisquer dos apóstolos esposaram ou advogaram a defesa da guarda do sábado, ao contrário o Senhor Jesus Cristo disse:
“E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”. (Marcos 2:27). Havia um radicalismo na guarda do sábado, por isso foi realizada uma releitura. Não obstante, Jesus também disse:
“Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mateus 12:8). Com essa declaração a igreja de Cristo passou a guardar o domingo com o sentimento devocional do sábado. Por que o domingo? O Senhor Jesus Cristo ressurgiu no Domingo, conforme está escrito:
“E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios”. (Marcos 16:9). Soma-se outro texto:
“E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre ela. (Mateus 28:1,2). Perceba a nomoestática do núcleo duro foi preservada, pois, o que está sendo preservado é o dia de culto a Deus. O único ser que poderia transferir o culto a Deus do último dia para o primeiro dia, é o próprio Deus.
“Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem”. (1 Coríntios 15:20). Ele, Jesus Cristo é, as primícias dos que dormem, e merece o primeiro dia de cada semana, portanto, guardemos o domingo com a visão reformada do Senhor Jesus Cristo que disse:
“Aconteceu num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando. E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrópico. E Jesus, respondendo, falou aos doutores da lei, e aos fariseus, dizendo: É lícito curar no sábado? Eles, porém, calaram-se. E, tomando-o, o curou e despediu. E respondendo-lhes disse: Qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo? (Lucas 14:1-5). Domingo é dia de convidar amigos, vizinho, familiares, parentes para irem à Casa de Deus, domingo deve ser um dia de Deus, um dia de salvação! Essa é a visão reformada do mandamento.
Olha que interessante, os sabatistas dão a Deus o último dia da semana, e nós damos a Deus o primeiro dia da semana, porque o Senhor Jesus Cristo ressurgiu no primeiro dia da semana. O 7º dia representa o último dia da criação, o domingo, representa o primeiro dia da recriação.
Conclusão:
Desejo que cada cristão leve a sério a guarda do domingo, como cada judeu guarda o sábado. Viva o domingo com o espírito do sábado. “Shabat” no Hebraico significa “descanso”, dessa forma, eu devo cessar as minhas obras para dedicar um dia inteiro para Deus.