Do Bispo e Dr. Alexandre R. Metello

TEMA: O que todos os cristãos deveriam saber?

Introdução:

Esta lição visa trazer uma visão geral da organização do texto bíblico. Assim, veremos como está organizado o Antigo Testamento, também chamado de Primeiro Pacto, e como se organizou o Novo Testamento ou o segundo pacto ou nova aliança. Os dois livros juntos formam o que chamamos de Bíblia, palavra do Grego Coinè que significa - coleção de livros - ou simplesmente, biblioteca. A Bíblia foi escrita por homens, mas manifesta por Deus, ela começou a ser escrita sobre duas pedras (os dez mandamentos por exemplo), depois foi escrita sobre papiro (junco – material que foi usado para a feitura do berço de Moisés que foi lançado sobre as águas do Jordão) e também escrita sobre pergaminho (material retirado da pele, isto é, couro dos animais: ovelhas, cabras e vacas). O nome pergaminho veio da cidade de Pérgamo, a grande produtora desse material. Segundo o profeta Ezequiel agora ela deve ser escrita em nosso coração, verbis:

“E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis”. (Ezequiel 36:26,27).

Agora bem, cumpre observar que a Bíblia foi escrita em três línguas, quais sejam: a língua Hebraica, Aramaica e Grega. O Antigo Testamento foi escrito quase que 100% em Hebraico, salvo os pequenos trechos escritos em Aramaico (apurados em Esdras, Daniel e Jeremias). Somado a isso, o Novo Testamento foi escrito 90% em Grego Coinè, e o Evangelho de Mateus e o livro aos Hebreus em Hebraico. Era usada para a escrita da Bíblia a fuligem misturada com goma-arábica, anileira (tinta azul extraída de plantas) ou garança (violeta, vermelha ou marrom), mas os romanos gostavam mais da tinta ferrogálica, extraída do ferro, mas agora, a Bíblia é escrita em nossos corações com o Poder do Espírito Santo, como escreveu o apóstolo Paulo, leia-se:

“Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração”. (2 Coríntios 3:3).

Ressalta-se que, em nosso estudo não iremos adentrar nos aspectos materiais, mas nos ateremos apenas aos formais. Embora se saiba que o aspecto material ou de conteúdo possua maior relevância, contudo, penso que todos os cristãos deveriam saber que:

 

I – A Bíblia é composta de Antigo e Novo Testamento

O Antigo e o Novo Testamento foram escritos ao longo de 1.500 anos, em três continentes, quer dizer, na Ásia, África e Europa. A Bíblia foi escrita por pelo menos 40 autores, dentre os quais destacamos profetas (Moisés, Samuel e outros), cronistas (sacerdote Esdras), salmodiadores (músicos e cantores: Davi, Asafe, filhos de Coré), reis (Salomão, Davi). O Novo Testamento foi escrito por médico (Lucas), cobrador de impostos convertido (Mateus, também chamado de Levi), pescadores (Pedro, André Tiago e João), apóstolos (Tiago, Pedro, Paulo, Judas, João), por profeta (João). Cumpre observar que não aceitamos a Bíblia Católica, em virtude de ter sido acrescentado à coleção original mais sete livros que não ostentam o teor de canonicidade e sacralidade para serem inclusos. Esses livros chamados apócrifos foram escritos, diga-se de passo, pelo menos a maioria deles, num período chamado interbíblico, também chamado de intertestamentário, em que, os teólogos protestantes e judaicos afirmam que foi o período do silêncio de Deus, o qual se estendeu por 400 (quatrocentos) anos, desde Malaquias até o Evangelho de Marcos. Registra-se que o Evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito, por isso, o colocamos antes de Mateus. Pois este foi escrito, provavelmente entre os anos 80 a. D. e 90 a.D., enquanto que o Evangelho de Marcos entre 40-60 a. D. os livros chamados de apócrifos ou deuterocanônico não os apontarei aqui, haja vista que pretendo que você aprenda o que é verdadeiro. Não obstante, devo imprimir que apesar de não concordar com a inclusão desses livros em nosso cânon, acredito que pelo menos os livros de Macabeus I e II são boas fontes históricas, digo isso, como historiador, os demais, em minha opinião, pouco se aproveita.  

II – O que contém o Antigo Testamento?

O Antigo Testamento possui 39 (trinta e nove) livros. A Bíblia Protestante segue a autoridade dos rabinos judaicos e respeita o cânon veterotestamentário deles. Apesar de o Tanah (Torah: Lei; Naviim: Profetas; Ketuvim: Escritos) ter uma organização diferente, possuem os mesmos livros. Para facilitar o aprendizado, não irei considerar nessas linhas a organização do texto judaico, ressalva-se, portanto, que o mesmo possui uma divisão tripartite, conforme visto acima. Enquanto que, o nosso texto possui uma divisão quinquipartite, ou seja: Pentateuco (ou Torá), históricos, Poéticos, Profetas maiores e profetas menores.

II.1 – Torah: São os cinco primeiros livros de Moisés, chamados de livros da lei, ou Pentateuco. Gize-se que são eles: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). Não te preocupes, porque depois consideraremos o significado de cada livro, data, autor, em outro material, com outros detalhes, porém, primeiro eu quero que você aprenda os livros, para depois estudar os pormenores.

II.2 – Históricos: Para alguns teólogos, o livro de Josué deveria estar anexado ao Pentateuco, formando um hexateuco, isto, porque ele cuida da conquista da terra de Canaã sob o comando de Josué, o sucessor de Moisés. Os livros históricos, como assinalado, vai do livro de Josué até o livro de Ester (Josué, Juízes, Rute, I Samuel, II Samuel, I (primeiro livro dos) Reis II(segundo livro dos Reis), I Crônicas (primeira Crônicas), II Crônicas (Segunda Crônicas). Depois temos, o livro de Esdras (o sacerdote Esdras) e o livro de Neemias (o Governador), e o livro de Ester (a rainha Ester, que foi rainha no Império Medo-Persa, atual Irã, ao lado do seu esposo, o Imperador Assuero).

II.3 – Poéticos:

 Os livros poéticos se estendem desde o livro de Jó até o livro de Cântico dos cânticos ou simplesmente chamado de livro de Cantares de Salomão. Eles se compõem dos livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares. Deve-se destacar que esses livros possuem textos chamados de sapienciais (Provérbios e Eclesiastes), salmódicos (Salmos: Cantos e orações), biográfico (Jó), romântico (Cantares).  Dito isso, restou as duas últimas divisões.

II.4 - Profetas maiores:  

Os livros dos profetas maiores, são assim chamados não porque esses profetas foram melhores do que os outros profetas, mas em razão de os livros serem mais extensos, mais prolixos, enquanto que os profetas menores foram mais lacônicos. Os profetas maiores são: Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel e Daniel.

II.5 – Profetas menores:

Não obstante, somado aos acima expostos, temos os chamados profetas menores, os quais são: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

III – O que contém o Novo Testamento?

III.1 - O Novo Testamento contém os quatro Evangelhos, quais sejam: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os quatro primeiros são chamados de Sinóticos, palavra essa que significa: com a mesma ótica. Só o Evangelho de João segue um estilo próprio, com linguagem menos descritiva e narrativa, e mais argumentativa.

III.2 – O Novo Testamento possui um livro histórico apenas, chamado de Atos dos apóstolos, o qual alguns chamam de Atos do Espírito Santo. Indubitavelmente é chamado de o primeiro livro de História Eclesiástica, porque narra a história da igreja primitiva.  

III.3 – Depois, temos as cartas Paulinas, são elas: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I Timóteo, II Timóteo, Tito, Filemon. Essas epístolas se dividem em cartas eclesiais e cartas pastorais.

III.3.1 - As Cartas Eclesiais (Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses), como se pode notar são nove (9) cartas eclesiais. Essas cartas foram remetidas para as igrejas que ficavam nas cidades onde o Evangelho foi pregado por Paulo, Barnabé, Silas (ou Silvano), Marcos e Lucas (o médico que acompanhava Paulo e escreveu o Evangelho de Lucas e o livro de Atos).  Essas cartas visavam alcançar o coletivo,  o corpo de Cristo.

III.3.2 – As cartas pastorais são: I e II Timóteo, Tito, Filemon. Essas cartas foram remetidas para os seus filhos na fé. Dois deles eram “pastores” ou líderes eclesiais, quer dizer: Timóteo era Evangelista e Tito era provavelmente um pastor. E Filemon era um crente aparentemente rico. As cartas pastoras são assim chamadas, dado o teor pastoral, individual, das orientações paulinas. Visavam alcançar o particular, o indivíduo.

III.4 – As cartas gerais são: Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas. São assim chamadas, porque apresentam uma variabilidade de apóstolos que escreveram. Hebreus possui uma autoria desconhecida, há quem diga que tenha sido o apóstolo Paulo, ou Silvano ou Barnabé. Mas, as demais cartas levam os nomes de seus autores.

III.5 – Revelação: O único livro de revelação do Novo Testamento é o livro do Apocalipse. Apesar de os Evangelhos terem muitas revelações, e as epístolas paulinas e gerais.

Conclusão:

A par de todo o exposto, senti-me provocado a informar que a Bíblia tem três fontes de produção, quais sejam: a revelação, a inspiração e a iluminação, a primeira mais presente no Antigo Testamento, a segunda, mais presente no Novo Testamento e a terceira mais presente nos dias pós-apostólicos, passando pela Patrística, Escolástica, Reforma e se estendendo até hoje, no chamado pós-  denominacionalismo, mas isso, é conversa para outro momento.

Então, todo o crente deveria saber que: A Palavra de Deus é viva e eficaz...como está dito:

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. (Hebreus 4:12).

 Do Conservo e Bispo Alexandre R. Metello.

 

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