Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.

 

O FILHO (JESUS CRISTO) É O LIBERTADOR.

“Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36).

 

Introdução:

A libertação é sempre um grande mistério no que tange à realidade espiritual, pois sempre se deve pensar de quem ou de que precisamos ser libertos? Ao passo que, sem dúvida alguma, a libertação é de alguém que se liberta de outro alguém ou de alguém que se liberta de alguma coisa? Diga-se de passo, basta lembrarmos do que ensinou Kant, sempre diferindo escravidão de servidão. Reitera-se, escravidão ocorre quando alguém me domina, ou um povo domina outro povo. Exemplificando: alguém é escravo do diabo e servo da bebida alcoólica. Servidão ocorre quando uma situação me domina. Não existe libertação de quem não está preso. Como também não existe libertação de quem não tem o desiderato de ser liberto. Só é liberto quem se sente preso ou que logicamente está preso. Lado outro, é possível que alguém esteja preso, mas que não sabe que está, em razão de seu torpor psicológico. O pecado muitas vezes anestesia e engana aquele que está preso. Já vi muitas pessoas que apesar de presas se sentiam livres. Um bom exemplo, é aquele que usa drogas, porque se sente livre para usar, mas que na verdade está preso por elas. Não é à toa que o nome mais técnico para droga é “entorpecente”, ou seja, o que coloca o indivíduo no torpor, em palavras outras, o que o põe sem autodeterminação pessoal. A droga gera a perda da autonomia. De outro prisma, é de se ter em nota o que está plasmado na Palavra de Deus, na 2ª carta de Paulo à igreja de Corinto, verbis: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (II Co 3:17). Ouvi o testemunho do jogador de futebol Kaká, e ele foi muito feliz ao dizer: “As leis podem ‘mudar’ o comportamento humano (algo externo), mas Cristo transforma o homem em seu íntimo”. Então, se o Espírito do Senhor nos habita, temos liberdade.

 

I – A libertação depende de definir o “se”

Nessa mesma esteira, proponho dissecarmos o que está versiculado acima, a começar pelo “Se”. Bom de ver que o “se” na língua portuguesa sugere uma condição, de tal sorte que o resultado depende do acontecimento. Já para a Filosofia, essa estabelece o antecedente causal, ou seja, expõe que todo o consequente tem um antecedente, e que o consequente depende do antecedente. Já a Teologia, dispõe que o “se” sugere a casuística. Vamos entender isso, a casuística coloca à salvo o nosso livre arbítrio, ou seja, o nosso poder de escolha, e conforme o que escolhermos uma ou outra será a nossa vida. Por isso, é casuística, posto que, cada caso é um caso, de tal modo que, em alguns casos as pessoas querem libertação, e em outros casos, as pessoas não querem, têm livre arbítrio, mas nem sempre têm liberdade. Nota-se, a casuística difere da apodítica, sempre repito isso, uma vez que, essa está sob o toldo de uma determinação divina, por exemplo, “não matarás”, é um mandamento de preservação da vida, de tal sorte que, nesse caso, Deus não dá escolha, ao reverso, Ele dá uma ordem. O mandamento é um ato soberano de Deus, de molde a trazer o juízo de Deus, caso não o cumpramos. Não obstante, a guisa de exemplo, se alguém vulnerar o artigo 121 do Código Penal em qualquer uma de suas modalidades substantivas, simples ou qualificada, sofrerá a aplicação da norma adjetiva, isto é, a pena. A grosso modo, a norma traz o limite da liberdade. A minha liberdade termina quando começa o direito do outro. Eu poderia pensar: “Sinto-me livre para matar alguém!” Posso até fazer, mas devo compreender que o outro tem o direito de viver, e se eu lhe sacar, tirar esse direito, serei punido pelo mandamento. Aqui está a diferença entre o libertino e o livre. O libertino extrapola o limite de sua liberdade, não aceita limite. O livre, cuja consciência é inteligente escolhe não fazer o mal ao seu próximo, visto que sabe que o uso de sua liberdade não pode vulnerar o direito do outro. Eu tenho liberdade de fazer o que quero, conquanto que essa liberdade não fira o direito do outro. Vou dar um outro exemplo, ou seja, o Pacto Internacional dos direitos civis e políticos, em seu artigo 1º, parágrafo 2º traz com clareza solar o Princípio do Proveito mútuo, de tal maneira que se o que faço não tem proveito para todos não devo fazer. Com efeito, esse mesmo diploma legal afirma: “A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e terá o direito de ser protegida pela sociedade e pelo Estado”. Mas, no Brasil (apesar de ser signatário do Pacto) o que mais os libertinos atacam é a família tradicional. Isso não é de se estranhar, porque na própria igreja encontramos muitas pessoas com dificuldades de aceitar regras. Já na casuística, Ele nos autoriza escolher. Ao lado disso, para libertação só temos uma escolha, qual seja, Jesus Cristo! Aleluia! Veio a minha mente o que escreveu o apóstolo Paulo, verbis: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação” (II Co 1:3). Somos libertos pela misericórdia do Senhor!

 

II – A libertação depende de se entregar a Jesus Cristo

Não obstante, a Palavra de Deus, deixa claro que Jesus Cristo é a verdade (João 8:32), pois, no verso 32 aparece que o conhecimento da verdade conduz à liberdade. De sorte que a verdade não é uma coisa, mas a causa de todas as coisas. Como está escrito: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam”. (João 1:3-5). A verdade de Deus está revelada em Cristo, por isso, a liberdade depende de termos Jesus Cristo como salvador de nossas vidas, como também está escrito: “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu, nenhum outro nome há ado entre os homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12). Vale considerar que um dos significados da palavra grega para salvação,  (soteria, Gr.), é libertação, de modo que, a libertação só existe em Cristo Jesus. Lembra, falávamos de duas verdades, a que diz respeito a casuística, outra, a que se refere a apodítica, e tem uma terceira, a parenética, que cuida das orientações de Deus, e tem uma sobre liberdade da qual não podemos prescindir, verbis: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão”. (Gálatas 5:1). Nunca é demais lembrar do que nos ensina o mito do barco de Teseu, o qual desvela que Teseu o mítico rei fundador de Atenas, libertou as crianças do seu reino que foram sequestradas por Minos. Então, o mito fala de libertação, contudo, com um diferencial, quer dizer, de que o barco de Teseu usado para escapar de Minos, foi sofrendo com as intempéries e desafios do mar, de modo que ao longo da navegação os navegantes foram tendo que trocar as peças, daí surgiu uma pergunta filosófica: A troca das peças do barco de Teseu implicaram na desnaturação do próprio barco? O barco em escopo deixou de ser barco? Não. Mas deixou de ser o barco de Teseu? Não. Porque a forma do barco era a mesma, apesar da matéria não ser. A par disso, essa verdade demonstra que a forma é algo espiritual, mais elevada do que a matéria. À vista de todo o exposto, o que se discute aqui é o Hilemorfismo, ou seja, doutrina filosófica que afirma que todos os seres possuem forma e matéria. Todavia, o que sobressai em nosso estudo é a verdade e a essência da liberdade em Cristo, que não pode perder a sua essência, apesar de muitas peças terem sido trocadas, novas estratégias terem surgido, novos métodos terem aparecido; tudo isso é válido, conquanto que o ideal permaneça, por isso, não podemos nos colocar debaixo da servidão do pecado, nem debaixo das regras humanas, que é o caso que Paulo referenciou em sua encíclica, uma vez que, os judaizantes queriam que a igreja abandonasse a graça, para se apegar à lei. In fine, importa ressaltar o que está escrito na epístola ao Romanos, no capítulo 8º, verso 2º, verbis: “Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte”.

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