Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.
O SIMBOLO DA CRUZ
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gálatas 3:13).
Introdução:
O mundo está cheio de símbolos, alguns retratam os nossos medos (totem e tabu), outros retratam as nossas conquistas (chave), outros retratam movimentos políticos-militares, a suástica, cruz com ganchos do Nazismo, o martelo e a foice, símbolos do Comunismo, a aliança que representa o casamento e outros. Agora, o mais importante de todos os símbolos é a cruz. É mister considerar que muitas pessoas usam uma cruz ou crucifixo pendurado no pescoço, mas nunca pararam para refletir sobre o real significado da cruz, mas, como a nossa igreja se compõe de investigadores da Palavra de Deus, a partir deste estudo, irão mergulhar no simbólico da cruz. Resta claro que o homo religiosus tende ao simbólico, o que não se confunde com o idolátrico ou com a iconofilia. O simbólico é exatamente aquilo que reúne significado, que é o oposto de diabolos, que é aquele que altera o sentido, adultera o significado. É muito interessante pensar que a cruz, a princípio, é um símbolo de maldição, todavia, depois que Cristo nela morreu passou a ter o significado de redenção. Estudiosos afirmam que a cruz aduz o sentido do axis mundi, isto é, o lugar de encontro entre o céu e a terra, o centro do mundo, onde o vertical e o horizontal se entrecruzam e se encontram no ponto central. A cruz, portanto, foi e é lugar de encontro.
I – A iconografia histórica da cruz
A cruz, era utilizada como um instrumento de punição desde o antigo Egito; existem relatos históricos e arqueológicos sobre a utilização da cruz como objeto de punição, inclusive textos bíblicos apresentam que num dado momento essa lei marcial, ou seja, de pena de morte, tinha feito parte do ordenamento jurídico dos hebreus, como está escrito: “Quando também em alguém houver pecado, digno do juízo de morte, e for morto, e o pendurares num madeiro. O seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto o pendurado é maldito de Deus; assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança”. (Deuteronômio 21:22,23). A questão gira em torno da dúvida que se tem sobre as especificidades do madeiro, se ele era cruciforme, ou apenas um madeiro vertical, no qual os condenados a pena de morte eram sacrificados e expostos à vergonha pública.
I.1 – A cruz era símbolo de condenação
A ideia da pena de morte no madeiro, sendo ou não em formato de cruz, pode ser visto, de qualquer sorte, como um embrião do simbólico da cruz. Isso posto, diga-se de passo, o madeiro representava o lugar de morte do maldito. Somente os que praticavam ou cometiam crimes hediondos eram pendurados no madeiro e nele deixados até à morte. Essa condenação era a desumanizante do humano, quer dizer, a morte mais vergonhosa.
I.2 – A cruz era símbolo de governo
Os reis assírios tinham uma ideia de unir os quatro hemisférios e ainda o céu com a terra, e o símbolo deles de governança era a cruz. O celeste e o terreal se encontravam no simbólico da cruz. Nesse sentido, a cruz guarnece o simbólico da teofania, a cruz representa a manifestação de Deus na terra.
II – A mensagem da cruz parece loucura
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo? Pois, visto que na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. (I Co 1:18-23). A palavra da cruz parece loucura, porque como entender um instrumento que sempre foi símbolo de maldição, passar a ser o símbolo de redenção. O mais curioso é que antes do Senhor Jesus Cristo muitos morreram da mesma forma que Ele, muitos foram condenados à morte de cruz, mas, por que somente a morte do Senhor Jesus Cristo trouxe esse imenso impacto histórico, geográfico e eterno? Porque, somente um morreu sem nenhum pecado, absolutamente inocente. Vem ao lume o que está disposto no versículo 22, do capítulo 2, verbis: “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano”. A teor do que está exposto acima, pode-se dizer que o Senhor Jesus Cristo é Aquele para o qual os serafins cantavam: “...Santo, santo, santo é o Senhor dos Exército e toda a terra está cheia de Sua glória” (Isaías 6:3). Ao lado disso, restase claro que o Santo dos santos foi enviado para morrer por todos nós e, é exatamente por isso que a sua morte trouxe grande impacto, pois, se muitos haviam morrido, anteriormente, da mesma forma e nenhuma morte que antecedeu a sua, gerou ou produziu tamanho impacto, pior do que isso, sequer teria gerado comoção, visto que, a pena de morte era algo comum e mundialmente aceita como uma punição aos grandes criminosos, mormente, infligida contra aqueles que cometessem crimes contra os Estados ou contra a humanidade, por que só uma morte na cruz trouxe tanto impacto? Mas, quando o inocente, perfeito, santo, sem pecado algum, foi parar fixado no lugar de humilhação, dor, sofrimento e morte, isso trouxe uma alteração de significado e alteração do estado universal das coisas. Como está escrito: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas fez a si mesmo de nenhuma reputação, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”. (Filipenses 2:5-11). Se Jesus Cristo não era o verbo vivo, se Ele não era o Deus encarnado, se Ele não era a imanação da Divindade na Humanidade, se Ele era comum, por que, então, a Sua morte até hoje tem gerado transformação de vidas ao pé da cruz?
Conclusão:
Desde tempos priscos, as tribos andam, caminham, lutam sob o pálio de um símbolo. Vemos isso em Antropologia, há tribo que sua bandeira é a imagem de um tigre, outra tribo, uma arara, como é o caso do município de Araruama que significa “lagoa em que as araras bebem água”. Estudos, por exemplo, apontam que a razão pela qual os guerreiros das tribos se pintam até hoje é essa, para significar e demonstrar a sua identidade, o seu pertencimento a um grupo. Assim, nós, como disse Mircea Eliade, em seu livro, Dicionário dos símbolos, “somos todos uma tribo ao redor de uma cruz”. Iavé Nissi (Hb.), Jesus Cristo é a nossa bandeira.
De seu amigo, conservo Bispo Alexandre R. Metello