Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.
Vínculos que precisam ser quebrados!
“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”. (Gênesis 12:1).
Introdução:
Inicialmente, é preciso se debruçar sobre a epígrafe e indagar, por que Deus determinou a saída de Abraão do meio onde nasceu? Antes de tudo, cabe salientar que se nós não rompêssemos com determinadas pessoas de nossa família, ou se não renegássemos os seus costumes, estaríamos com nossas vidas imersas no fracasso. A ideia de sair aduz a ideia da experiência, haja vista que experiência vem de “ex” movimento de dentro para fora, “peri” (perímetro, ao redor de) e “ente” (ser). Então, a experiência é o ultrapassamento do perímetro do ente (ser). Assim, pode-se pensar que muitas seriam as razões para nos mantermos inertes, ou acomodados no nosso ninho, nicho, no nosso eixo produtivo, o qual muitas vezes está desgastado, enferrujado, emperrado, de tal sorte que nos impede a avançar. A experiência então consiste numa saída de si mesmo. À vista disso, vamos considerar cada ponto do imperativo de Deus a Abraão:
1. Sai da tua terra
Sair da terra, tem sentido sob o lume da etnografia, ou seja, o lugar onde fomos criados, onde nascemos. Sabe-se que os nossos costumes, os nossos hábitos estão ligados à nossa origem étnica, ou seja, a origem pessoal. Com certeza a nossa origem dita os nossos hábitos, costumes, crendices. Não sei se você já percebeu? Aqui no Brasil, eles querem fazer um retorno consuetudinário e de reconstrução histórica de um passado ligado a feitiçaria, a bruxaria, ao fetichismo, ao totemismo, coisas essas que foram abandonadas. Meu pai, já falecido, dizia que quando ele era de uma religião afrodescendente vivia nos cemitérios buscando corpos de pessoas mortas para fazer trabalhos de feitiçaria, e sempre me dizia que não sabia como, sendo ele uma pessoa inteligente, tinha se metido num abismo espiritual tão grande e medonho. Meu pai nunca gostou de bebida alcoólica, mas quando estava sob o domínio das entidades malignas, ele bebia litros de cachaça, e quando parava a incorporação se via num estado deplorável. Pois bem, indaga-se, isso é progresso ou atraso? Meu pai dizia, depois que foi liberto por Cristo Jesus, nunca mais voltarei à essa escravidão. Agora bem, aduz-se mais uma pergunta: Onde ele aprendeu a feitiçaria? Aprendeu no meio da casa onde foi criado. O meu avô por parte de pai foi quem primeiro mergulhou nesse abismo, inaugurando uma história de desgraça que foi rompida por meu pai quando conheceu a minha mãe, filha de pastor. Pense num homem fanático por Cristo! Pensou?! Acho que não consegue superar meu pai, pois ele foi um dos homens mais crentes que eu conheci, cumpriu-se na vida dele o que Jesus Cristo ensinou: “Quem muito recebeu amor e quem muito foi perdoado, muito ama” (Lucas 7:47-50). Vale dizer, a Teologia Veterotestamentária nos ensina que os terafins, começaram a serem produzidos por Tera, pai de Abraão. Os terafins eram ídolos domésticos trazidos em colares ou guardados em tehalit (pequenos santuários postos nas casas). “Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafim”. (Oséias 3:4). Esses três últimos elementos, quais sejam, estátua, éfode e terafim, compunham o totemismo hebreu. Quer dizer, até o éfode passou a ser utilizado com objeto mágico, distorcido foi o sentido sacerdotal – profético do éfode. Quem leu o meu livro, o Manual dos ministérios, nele eu explico sobre o ministério profético dedutivo, que usava o éfode. Não obstante, acreditava-se que, os terafins produziam sorte, fertilidade, e prosperidade, faziam parte do politeísmo semítico, coisa essa abominável para Deus. Segundo Pablo Deiros, meu professor no Doutoramento em Ministérios Globais, os Terafins que abarcam a ideia do Totemismo, aos poucos têm retornado às escolas teológicas de algumas igrejas neopentecostais que reanimam essa maldição que foi abandonada por Abraão, e eles a contrário senso, posto que valorizam muito a ideia do sacrifício abraâmico, retomam o que foi abandonado por Abraão, ou seja, essa fé idólatra e fetichista. Tem se cumprido o que está escrito, verbis: “O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.Pois não nos pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por amor de Jesus. Pois Deus que disse: "Das trevas resplandeça a luz, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”. (II Co 4:4-9). Os descrentes (ateus e agnósticos) não conseguem compreender as maravilhas do Evangelho de Cristo, pois o inimigo tem escravizado vidas no engano.
2. Sai da tua parentela
Faceia-se, por que outro imperativo divino para a vida de Abraão é o de sair da parentela? Porque muitos parentes impõem ou querem impor seus maus hábitos e suas crendices àqueles que querem ter uma vida diante de Deus. Muitos quando vão em festas de parentes, ficam sendo quase que obrigados a beberem, a fumarem, a usarem outras drogas, a ouvirem músicas que contaminam a alma, a estarem satisfazendo os desejos da carne. A parentela muitas vezes tira o nosso foco do propósito que Deus tem para nós. Já temos visto em outras lições, que é necessário envolver-se num processo com Deus, como fez Enoque, Noé e Abraão. E, se Deus tem um chamado para as nossas vidas, não podemos viver focados na vontade de nossos parentes, mas sim na vontade de Deus, e nesse aspecto que se aplica o que Jesus Cristo ensinou, leia-se: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14:26).
3. Sai da casa de teu pai
O fato é que muitos parentes e familiares querem que renunciemos a nossa fé para agradá-los, mas isso não dá para mim, nem para quem ama a Cristo. A renúncia do pai e da mãe, não é abandoná-los à própria sorte, mas cumprir o chamado de Deus. Certamente, o que Jesus Cristo, nosso Senhor, nos ensina é colocarmos a vontade de Deus acima de tudo e como base de tudo. Pense nisso, não há contradição na Bíblia, Deus não mandaria horarmos pai e mãe (Êxodo 20), consoante o que está disposto no decálogo e depois nos mandaria odiá-los. Mas, na escolha entre a vontade de Deus e a de um pai ou mãe incrédulo, prevalecerá a vontade e o chamado de Deus. Perceba que o que Jesus está ensinando é sobre o amor verticalizado (pai, mãe e filhos), colateralizado (irmãos e irmãs) e horizontalizado (a nossa própria vida). Quer dizer, devo renunciar a vontade dos outros, e devo renunciar a minha própria vontade. Entre as vontades, na relação de poder, na diagonal, a vontade d’Ele cresce e a minha diminui. É uma gangorra espiritual, forço a minha vontade para baixo, para que a do Senhor possa se elevar. De seu amigo, conservo e Bispo Alexandre R. Metello