Bispo Alexandre Rodrigues Metello
Teólogo, Missiólogo,
Pedagogo, Advogado, Professor de Português-Literatura,
Filósofo, Sociólogo, Historiador, Psicanalista e Psicoterapeuta.
A CARNE, UM PROBLEMA A SER REMOVIDO EM PROL DA COMUNHÃO!
Introdução:
Por que muitas vezes a comunhão é aspirada, mas não vivenciada?
O apóstolo Paulo se preocupou com esse tema, e trouxe explicações a serem consideradas pela igreja de Cristo. Mas, antes, devo dizer que não menos importante do que identificar o entrave da comunhão é trazer uma solução. Em nosso texto, vamos analisar o problema da carne e seus reflexos na vida da igreja. Por óbvio, aqui nessas folhas, não conseguirei esgotar o assunto, aliás, nem em todas as folhas do mundo, o autor dessa lavra conseguiria essa façanha. Por isso, irei destacar apenas uma parte das obras da carne, e tentar trazer uma discussão curta e apertada.
Adverte-se que é indispensável entender o que é obra da carne, isto é, o erga tes sarcós ( s s), quer dizer, o trabalho da carne. Essa dicção, aduz que a carne trabalha, realiza a sua atividade por meio de algumas fontes, causas que precisam ser combatidas, posto que suas consequências são desastrosas. Nota-se que, as obras da carne são terríveis e implicam na destruição da nossa comunhão com Deus e com a igreja. A “sarx” ou carne é o pecado manifesto. Manifesto por meio de que? Por meio do corpo, ou da alma ou do espírito. Entendeu?
Prima facie, impõe-se dizer que as obras da carne se dividem em obras da carne somáticas ou físicas ou do corpo (adultério, fornicação, impureza e lascívia) e obras da carne pneumáticas ou espirituais ou do espírito (idolatrias e feitiçarias) e obras da carne psicológicas ou da alma (inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonarias). Hoje, estudaremos as últimas, verbis:
I – O que é a obra psicológica da carne?
Como se percebe em larga escala, temos um entimema (um silogismo básico) o ser humano tem virtudes, logo também tem vícios que precisam ser vencidos para a sua perfectibilização. Isso posto, vale considerar que as obras da carne são vícios. Mas, o que é vício? O vício ocorre quando a minha vontade me domina. A contrário senso, a virtude ocorre quando eu domino a minha vontade. De outro prisma, a virtude consiste numa busca insaciável de imitar o caráter de Deus, ou seja, o que é divinal, enquanto que o vício consiste em querer imitar o instinto animal, isto é, o que é bestial. Aristóteles apresenta algo muito interessante sobre o ponto em discussão, ele afirma que, a lista das coisas agradáveis imita a natureza, por exemplo, as artes, tais como, a pintura, a escultura, a poesia, a música e outros.
A par do exposto, é necessário deixar claro que, a supradita afirmação, no texto, aponta que algumas obras da carne são psicológicas, porque se percebe claramente que elas estão ligadas a sentimentos, desejos, vontades. Assegura o texto bíblico que:
“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: “... inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais de antemão vos declaro, como também já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. (Gálatas 5: 19, 21). Vamos tomar cuidado em nossa análise, pois, fiz questão de destacar apenas as obras carnais psicológicas, em palavras outras, o que a carne produz no ssentimentos, desejos, volições humanas. Por isso, sempre insisto em dizer que a igreja também deve cuidar da alma. Lembre-se sempre, o meu corpo me liga ao outro, ele é sensitivo (ou sensorial), por isso, por ele eu posso cometer adultério, fornicação, impureza e lascívia (Gálatas 5:19), insta-se em dizer, as quais são as obras carnais do corpo ou corporais. Apura-se com leveza que, as obras carnais espirituais são idolatria e feitiçaria. Perceba, esses dois pecados são espirituais, no sentido de que são tentativas de substituir a Deus como alguém que deveria ser adorado (idolatria) e a feitiçaria, visa substituir a Deus, como alguém que deve ser obedecido. O feiticeiro acredita que os seus feitiços podem substituir a Deus. Alguns feiticeiros querem substituir a Deus por espíritos de antepassados ou por supostas entidades. Na idolatria Deus é substituído pelo inanimado (espírito), e, na feitiçaria Deus é substituído pelo animado (pela presença de um espírito que não é o do verdadeiro Deus). O espírito humano é racional. Mas, os pecados que iremos tratar não são os sensoriais ou sensitivos (do corpo), nem os espirituais (racionais ou do pensamento) mas, os emocionais e os sentimentais.
II – Quais são as obras psicológicas da carne?
Assegura o texto apostólico que há uma diferença entre o conveniente e o inconveniente. O conveniente está ligado ao fruto do Espírito (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22). O fruto do Espírito é conveniente e é adequado para igreja. As obras da carne são inconvenientes e inadequadas para a igreja. Bom de ver, o fruto do Espírito expressa o caráter, a personalidade e o temperamento de Deus, enquanto que as obras da carne revelam o homem animalizado. Você sabe que o animal é só alma? Sim. O animal não pensa, então ele é só alma, em palavras outras é irascível, move-se pelo instinto. Perceba! O fruto do Espírito e as obras da carne são os contrários, são os opostos da vida espiritual. Lá estava o Alexandre pequenino na EBD e a minha professora da Escola Bíblica Dominical (irmã Alvina) propôs o seguinte:
“Você tem dois leões, a um você alimenta, a outro você deixa vários dias com fome, ao soltá-los, como ferozes e oponentes, quem vencerá a peleja? O leão com fome, ou o leão alimentado? Respondi, acertei e ganhei um livro. É lógico que quem vence é o que não está enfraquecido pela inanição ou desnutrição. De igual modo, a carne não pode ser alimentada, pois, se a alimentamos, ela vence. Então, devemos alimentar o espírito, com a oração, leitura da Palavra, jejum, louvor, testemunhos e outros meios de fortalecimento espiritual. Acredito, que agora nos encontramos aptos para entender que as inimizades, contendas, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonarias devem morrer. Mas, como matá-las? Não alimentando...sim, não alimente inimizade, contenda, ciúme, ira, emulação ou peleja, dissensão, heresia, inveja, homicídio (pode ser por golpe ou por palavra), bebedice e glutonaria.
Conclusão:
Por fim, sublinha-se, a obra carnal almática ou da alma, produz discórdia. Veja, o que significa a palavra discórdia? Vem de “córdia” (coração), então, a discórdia é a separação dos corações. A concórdia é a união dos corações! Então, vamos unir os nossos corações? Concorda?!
Do vosso conservo e Bispo Alexandre R. Metello.